Uma investigação conduzida pelo Comparitech revelou que diversos aplicativos de VPN gratuitos, disponíveis nas lojas oficiais da Apple e do Google, podem representar riscos à privacidade dos usuários. O estudo encontrou indícios de conexões com infraestrutura digital na China e na Rússia, levantando preocupações sobre quem realmente controla esses serviços.
A pesquisa foi motivada por um relatório do Tech Transparency Project, que já havia alertado que 20 dos 100 principais apps gratuitos de VPN na App Store dos Estados Unidos tinham vínculos com empresas chinesas, sem que essa informação fosse devidamente divulgada ao público. Embora a Apple tenha removido alguns dos aplicativos apontados, muitos continuam disponíveis para download. O Comparitech decidiu então realizar uma análise técnica mais profunda, decompilando os apps e monitorando seus padrões de tráfego de rede em busca de sinais de ligação com servidores ou domínios controlados por entidades estrangeiras. Foram examinados 24 aplicativos populares, 13 no Android e 11 no iOS, incluindo nomes como Turbo VPN, X VPN, Pearl VPN, NowVPN, VPNify e Signal Secure VPN.
Todos esses apps alegam proteger a privacidade do usuário, mas a análise levantou dúvidas sobre a origem e a integridade de seus operadores. Os pesquisadores não conseguiram confirmar a propriedade direta dos serviços, mas encontraram indícios técnicos de que o tráfego de usuários pode estar sendo roteado por infraestrutura localizada na China ou na Rússia, o que contraria a proposta de segurança e anonimato oferecida por essas ferramentas. Como VPNs têm acesso completo ao tráfego de internet dos dispositivos, qualquer controle indevido pode resultar em coleta de dados sensíveis, como senhas, localização, histórico de navegação e comunicações pessoais. Em contextos autoritários ou de vigilância estatal, isso representa um risco ainda maior.



