EUA avaliam autorizar represálias cibernéticas com lei inspirada em prática naval

O cenário da cibersegurança nos Estados Unidos pode estar prestes a mudar radicalmente. O Google anunciou planos de criar uma “unidade de disrupção” dentro do seu Grupo de Inteligência contra Ameaças, com o objetivo de identificar e neutralizar campanhas hackers de forma proativa. A vice-presidente da divisão, Sandra Joyce, afirmou que a empresa não pode mais se limitar a reagir a ataques, mas precisa atuar de maneira ofensiva para realmente conter operações criminosas.

A iniciativa surge em um momento em que o governo americano também discute adotar medidas mais agressivas contra cibercriminosos. Em julho, o Congresso aprovou o “One Big Beautiful Bill Act”, que destinou US$ 1 bilhão para operações ofensivas no ciberespaço. Pouco depois, em 15 de agosto, foi proposto o “Scam Farms Marque and Reprisal Authorization Act of 2025”. O texto prevê que o presidente possa conceder “cartas de corso” modernas — uma prática de origem naval usada na Idade da Vela, autorizando represálias contra organizações e indivíduos envolvidos em crimes digitais contra os EUA.

Embora ainda não esteja claro se empresas privadas, como o Google, terão permissão para participar diretamente dessas ações, a tendência aponta para um endurecimento da postura americana. A atual estratégia, focada apenas em defesa, tem falhado diante de ataques frequentes que envolvem roubo de propriedade intelectual, sequestro de dados e até financiamento de programas militares inimigos. Ao mesmo tempo, setores críticos da infraestrutura nacional continuam sendo alvos recorrentes.

Esse possível reposicionamento levanta dúvidas: até que ponto a participação de gigantes tecnológicos em operações ofensivas é positiva? Para os cibercriminosos internacionais, contudo, o recado parece claro: o “Velho Oeste” digital pode estar prestes a ganhar novos xerifes.

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