Pesquisadores identificaram um novo malware para Windows chamado BraZetsu, usado para mapear redes corporativas comprometidas, identificar sistemas de maior valor e preparar esses acessos para venda a outros criminosos. A operação tem foco principalmente no Brasil e em outros países da América Latina e Península Ibérica.
A ameaça foi atribuída com alta confiança ao ator brasileiro Exilware, que opera como Initial Access Broker. Nesse modelo, o grupo invade empresas e comercializa o acesso inicial para operadores de fraude, roubo de dados ou ransomware.
O BraZetsu é desenvolvido em Python e utiliza arquitetura modular. Após a infecção, mantém comunicação por WebSocket com o servidor de comando e controle e permite execução remota de comandos e captura de telas.
O malware procura softwares bancários, ERPs, plataformas de e-commerce, ambientes industriais, ferramentas de desenvolvimento, sistemas de backup e soluções de segurança. Também busca arquivos financeiros no padrão brasileiro CNAB, certificados digitais e histórico de navegadores.
O código apresenta indícios de uso intenso de IA generativa durante o desenvolvimento. Além disso, mensagens internas indicam que um componente de inteligência artificial no servidor pode ajudar a classificar arquivos roubados e priorizar máquinas consideradas mais valiosas. Os pesquisadores ressaltam que ainda não foi possível determinar todo o alcance da IA dentro da operação.
O BraZetsu possui 27 funções, grande parte dedicada a reconhecimento automático e coleta de informações. Os acessos comprometidos abastecem um mercado clandestino operado pelo Exilware. Compradores podem adquirir máquinas infectadas e posteriormente implantar seus próprios malwares, separando o invasor inicial do ataque final contra a empresa.



