Cibercriminosos roubam mais de US$ 6 bi da Binance

A Binance confirmou em 30 de outubro de 2026 o roubo de cerca de 6,3 bilhões de dólares em criptomoedas, perto de 34 bilhões de reais, no que analistas de mercado descrevem como o maior furto já registrado no setor. O ataque aconteceu na quinta-feira 29 e as transferências não autorizadas levaram cerca de 20 minutos.

Pela reconstituição da TRM Labs, as saídas começaram às 20h05 UTC de 29 de outubro, depois que o atacante comprometeu o sistema que autoriza transferências. A empresa de rastreamento afirma que o invasor usou o recurso EIP-7702 do Ethereum para assumir o controle de uma carteira quente e preparou a operação por pelo menos 36 horas.

A explicação técnica mudou em menos de um dia. Na quinta à noite a Binance apontou o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps como porta de entrada, que teria dado acesso a um container de serviço usado para submeter os saques. Na sexta a empresa escreveu que o incidente decorre de múltiplos fatores e revelou pontos adicionais de invasão.

O co-CEO Richard Teng escreveu que o atacante não usou apenas a permissão de um engenheiro e que não houve uma ação de um clique. A corretora afirma não ter encontrado evidência de vazamento de chave privada, o que desloca o problema: em vez de roubar as chaves, o invasor fez a infraestrutura da empresa assinar as transferências por ele.

Cerca de 3 bilhões de dólares foram localizados e parte deles bloqueada com ajuda de outras empresas, o que não equivale a recuperação. A Tether travou mais de 1,57 bilhão em USDT e a Circle mais de 800 milhões em USDC, pelos relatos de Paolo Ardoino e Jeremy Allaire. O roubo representa perto de 4% dos ativos sob custódia, pelo DefiLlama.

A co-CEO Yi He disse que a Binance cobre todas as perdas, com o fundo SAFU e capital próprio. A empresa suspendeu saques em várias redes na quinta, restabeleceu os depósitos na sexta e projetou religar os saques em cerca de 45 horas. Pela Reuters, trabalha com o FBI e com o Serviço Secreto dos Estados Unidos.

A autoria está em disputa. A TRM Labs aponta com alta confiança o grupo norte-coreano TraderTraitor, ligado ao Lazarus, e a Chainalysis chega à mesma conclusão, mas a Binance declarou em 30 de outubro que a investigação dela não identificou os responsáveis. Quem mantém saldo em corretora tem o que acompanhar: o post-mortem técnico e a prova de reservas atualizada, prometidos e não divulgados até 30 de outubro, e qualquer contato que ofereça recuperação de fundos, que a Binance alertou ser fraude.

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