A China reagiu com duras críticas à decisão do Reino Unido de impor sanções contra duas empresas chinesas de tecnologia, acusadas por Londres de envolvimento em operações cibernéticas direcionadas a serviços públicos e à segurança nacional britânica. Pequim classificou a medida como “manipulação política”, afirmando que o tema da cibersegurança está sendo usado para fins geopolíticos, o que elevou ainda mais as tensões diplomáticas entre os dois países.
As sanções anunciadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido atingem as empresas i-Soon e Integrity Technology Group, acusadas de conduzir atividades cibernéticas “vastas e indiscriminadas”, com impactos diretos sobre sistemas públicos e interesses estratégicos do país e de seus aliados. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o governo chinês apresentou “fortes representações” diplomáticas a autoridades britânicas em Pequim e Londres, expressando oposição firme às acusações.
Além das empresas chinesas, o Reino Unido também sancionou entidades russas acusadas de disseminar desinformação pró-Moscou. Um documento de política divulgado junto às medidas alerta que guerras cibernéticas e informacionais representam ameaças crescentes às democracias e à infraestrutura crítica na Europa. A secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, afirmou que essas operações afetam a segurança coletiva e serviços públicos, enquanto seus responsáveis agem sem distinguir alvos civis ou estratégicos.
Entre os alvos russos estão o veículo de mídia Rybar, a fundação Pravfond, apontada como fachada de inteligência, e o filósofo nacionalista Alexander Dugin, associado à promoção do neo-eurasianismo. Segundo Londres, essas ações refletem o avanço de ameaças híbridas que combinam meios físicos, digitais e informacionais para enfraquecer sistemas democráticos.



