A Polícia Metropolitana de Seul anunciou em 26 de outubro a prisão do responsável por uma série de invasões que atingiu cerca de 90 empresas e instituições da Coreia do Sul e levou 8,2 milhões de registros pessoais e documentos internos. Parte dos ataques foi executada com inteligência artificial generativa.
Dos cerca de 90 alvos, 60 foram comprometidos com apoio de IA generativa, segundo a polícia. A ferramenta usada recebia apenas o alvo e determinava sozinha o caminho de ataque. Para os investigadores, esse grau de automação permite que uma pessoa sozinha alcance a escala que antes exigia um grupo de especialistas.
O responsável, identificado apenas como A, tem 32 anos, não cursou a área de tecnologia e aprendeu a invadir sistemas por material disponível na internet. Entre 2019 e 2022 ele trabalhou com teste de intrusão em uma empresa de segurança. Outros seis suspeitos respondiam em liberdade.
Relatos sobre o caso identificaram a ferramenta como ARTEX, um framework de pentest com inteligência artificial que também foi associado a ataques contra instituições financeiras sul-coreanas. O uso do mesmo programa não estabelece autoria comum entre as duas campanhas.
Entre os alvos estão hospitais, cursos preparatórios, campos de golfe, universidades e subsidiárias de grandes empresas. Depois do roubo o grupo cobrou pagamento de 38 organizações, com exigências que somaram 360 milhões de won em Tether, sob ameaça de divulgar os dados e expor as vítimas a multa e dano de reputação. A polícia apurou 300 mil won efetivamente recebidos.
As invasões ocorreram entre setembro de 2025 e outubro de 2026, e o uso mais amplo de IA generativa começou no fim de agosto de 2026. A investigação foi aberta em junho pela queixa de uma empresa atingida. Os investigadores chegaram ao suspeito pela análise dos registros dos servidores das vítimas e o prenderam em 15 de outubro.
Ele foi encaminhado ao Ministério Público sob custódia, por violação da lei de redes de informação e comunicação e por extorsão consumada e tentada. A polícia classificou o caso como o primeiro de grande escala no país com uso de IA generativa, informou ter recuperado parte do material roubado e disse apurar se houve cópias na dark web. O número de organizações atingidas é o apurado até o anúncio e pode crescer.



