Cloudflare barra mais de 18 milhões de ataques DDoS no terceiro trimestre

A Cloudflare barrou 18,2 milhões de ataques de negação de serviço na camada de rede entre julho e setembro de 2026, segundo o relatório trimestral que a empresa publicou em 29 de outubro. O volume representa alta de 208% sobre o mesmo trimestre de 2025, ou cerca de 8,2 mil ataques por hora.

O perfil dos ataques mudou mais que o número. Pela contagem da empresa, 96% terminaram em menos de dez minutos e 98% ficaram abaixo de 1 Gbps, o que dá cerca de um ataque a cada 0,44 segundo. No mesmo período a Cloudflare filtrou 14,4 trilhões de requisições na camada HTTP e 272,6 PB de tráfego na camada de rede.

Os ataques de grande porte caminharam na direção oposta. As investidas acima de 1 Tbps passaram de 805 no segundo trimestre para 251 no terceiro, queda de quase 69%. A Cloudflare associa o recuo à ação policial do início de 2026 contra quatro botnets de dispositivos conectados.

A combinação desloca o problema de capacidade para tempo de detecção. Rajada abaixo de 1 Gbps e com menos de dez minutos passa longe do limiar que dispara mitigação volumétrica, e pode derrubar um serviço mal dimensionado antes que qualquer alarme baseado em volume reaja.

Os vetores também se reorganizaram. A reflexão por CLDAP caiu 99,5% no trimestre e chegou a 0,05% do total, depois de ter crescido 580% no primeiro semestre. A amplificação de DNS subiu 215% e responde por 3,43%, e as inundações por UDP cresceram 122%, de 14,06% para 31,31%.

Entre os alvos, os Estados Unidos voltaram ao primeiro lugar, com a China em segundo e a Indonésia em terceiro. O Canadá saltou da 16ª para a 6ª posição e Israel subiu sete lugares, até a 10ª. Mídia, produção e publicação lidera as indústrias atingidas, com participação perto de um quarto da registrada no trimestre anterior.

A infraestrutura antiga sustenta boa parte do tráfego: variantes classificadas como Mirai somaram 57,23 PB em agosto, 46,5% dos bytes de camada de rede do trimestre, e famílias novas como Dysphoria e Evooo1Bot aparecem no lugar das botnets derrubadas. Para quem opera serviço exposto, o relatório sugere duas revisões, manter a mitigação sempre ligada em vez de acionada sob demanda e calibrar limiares para enxergar rajadas de menos de um minuto.

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