Uma nova análise do malware Fast16 revelou que a ferramenta foi criada para adulterar simulações nucleares altamente especializadas, anos antes de o Stuxnet se tornar o caso mais conhecido de sabotagem cibernética contra processos físicos.
O malware foi encontrado em arquivos vazados pelo grupo Shadow Brokers em 2017 e associado ao Equation Group, ator patrocinado por Estado frequentemente ligado a operações avançadas de espionagem e sabotagem digital.
Segundo pesquisadores, o Fast16 tinha como alvo softwares usados em simulações científicas e de engenharia, incluindo LS-DYNA e AUTODYN.
Essas ferramentas são empregadas para modelar fenômenos complexos, como impacto, explosões, comportamento de materiais e detonações.
A análise indica que o foco da operação era interferir em simulações de compressão de urânio, uma etapa sensível em testes virtuais relacionados a projetos de armas nucleares.
Em vez de destruir sistemas ou causar falhas visíveis, o malware buscava alterar cálculos específicos.
A ferramenta também possuía mecanismos para evitar determinados ambientes de segurança e podia se espalhar para outras máquinas da mesma rede.
Esse comportamento aumentava as chances de alcançar sistemas usados diretamente nas simulações sensíveis.
O caso reforça que operações de sabotagem cibernética contra processos críticos já eram conduzidas antes da exposição pública do Stuxnet.
A diferença é que, no Fast16, o alvo não era um equipamento industrial, mas o modelo computacional usado para orientar decisões científicas e militares.



