Requisitos que poderão ser exigidos no seguro cibernético após resolução do Banco Central

O Banco Central do Brasil publicou a Resolução 498 que redefine as regras de credenciamento de prestadores de serviços de tecnologia da informação com acesso à Rede do Sistema Financeiro Nacional. A norma coloca a cibersegurança no centro da regulação e obriga os parceiros de bancos e fintechs a comprovarem padrões elevados de governança, continuidade e proteção de dados.

A exigência inclui contratação de seguro de responsabilidade civil e riscos operacionais com cobertura mínima a ser estabelecida pelo próprio regulador. Fraude e incidentes cibernéticos passam a integrar formalmente o rol de riscos que precisam estar assegurados. Além disso, as empresas terão que apresentar certificações reconhecidas, auditorias externas anuais e políticas de segurança consistentes. O que antes era tratado como recomendação agora se tornou critério para permanecer ativo no ecossistema financeiro.

Para muitas seguradoras, esse processo já fazia parte da rotina antes mesmo da norma entrar em vigor. As apólices passaram a considerar práticas técnicas como uso de autenticação multifator em sistemas sensíveis, planos de backup e recuperação de desastres, resposta a incidentes, controle de acessos, soluções de monitoramento avançado como EDR e SOC, além de treinamentos regulares de conscientização para funcionários. A regulação apenas oficializa um padrão que já vinha sendo imposto pela lógica de mercado.

Dentro desse novo cenário, os testes de intrusão (pentest) ganham espaço como exigência prática. Seguradoras e reguladores esperam evidências de que sistemas críticos são submetidos a avaliações ofensivas contínuas, conduzidas por especialistas capazes de expor vulnerabilidades exploráveis em ataques reais. Sem essa validação, o seguro tende a encarecer, a cobertura pode ser recusada e a competitividade nos contratos com instituições financeiras se torna mais difícil.

O resultado é uma mudança estrutural na relação entre tecnologia e setor financeiro. O seguro cibernético passa a refletir a maturidade técnica das empresas e não apenas a formalidade de uma apólice. Para sobreviver nesse ambiente, fornecedores precisarão provar capacidade de resposta e resiliência diante de riscos digitais cada vez mais agressivos.

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